
A Competition and Markets Authority (CMA), autoridade antitruste do Reino Unido, propôs um pacote de medidas para ajudar empresas e consumidores a fazerem escolhas ativas e informadas ao usar os serviços de busca do Google.
Seu objetivo é equilibrar o poder do Google, que responde por mais de 90% de todas as pesquisas gerais no Reino Unido, com milhões de pessoas dependendo dela como principal porta de entrada para a internet. Mais de 200 mil empresas no Reino Unido gastaram coletivamente mais de £ 10 bilhões em publicidade nos mecanismos de busca do Google no ano passado.
Em outubro de 2025, a CMA concedeu ao Google o status de Mercado Estratégico (SMS, na sigla em inglês) em serviços de busca. Essa designação permite que o órgão crie regras específicas ou “requisitos de conduta” para os negócios do Google, desde que sejam proporcionais para fins de negociação justa, liberdade de escolha, confiança e transparência.
Medidas propostas pela CMA
A CMA delineou quatro pilares principais para intervenções:
1. Controles para editores
Os editores poderão optar por não ter seu conteúdo usado para alimentar recursos de IA, como as Visões Gerais de IA, ou para treinar modelos de IA fora da busca do Google.
O Google também será obrigado a tomar medidas práticas para garantir que o conteúdo dos editores seja devidamente atribuído nos resultados de IA.
2. Classificação justa
Os resultados de pesquisa devem ser justos e transparentes para as empresas, com um processo eficaz para relatar e investigar problemas.
O Google deverá demonstrar à CMA e aos seus usuários que classifica os resultados de pesquisa de forma justa, inclusive em suas Visões Gerais de IA e Modo de IA.
3. Telas de escolha
A empresa deve facilitar a troca de serviços de busca, tornando obrigatória a exibição de telas de escolha padrão em celulares Android e introduzindo-as no navegador Chrome.
4. Portabilidade de dados
O Google deve facilitar o uso dos dados de pesquisa por pessoas físicas e jurídicas.
Resposta do Google
O Google reagiu positivamente, afirmando: “Estamos explorando atualizações em nossos controles para permitir que os sites optem especificamente por não participar dos recursos de IA generativa da pesquisa.“
Acrescentou ainda que “Nosso objetivo é proteger a utilidade da busca para pessoas que desejam informações rapidamente, ao mesmo tempo em que oferecemos aos sites as ferramentas adequadas para gerenciar seu conteúdo. Aguardamos com expectativa nossa participação no processo da CMA e continuaremos as discussões com proprietários de sites e outras partes interessadas sobre este assunto.”
No mais, qualquer novo controle será uma extensão dos mecanismos já existentes e precisa preservar a experiência da busca como um todo.
Por que isso importa?
Para profissionais de SEO, proprietários de sites, editores, etc., que desejam que o Google dê mais controle sobre como o próprio conteúdo é usado para as Visões Gerais de IA e o Modo de IA, a notícia é boa. Esses controles podem chegar em breve, pelo menos no Reino Unido.
Gostou do tema? Então vale a pena conferir meu resumo sobre IA e direitos autorais.
Descubra mais sobre Tânia Tiburzio
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.