Confira minhas 10 melhores leituras de 2025 e que talvez você queira adicionar ao seu plano de leitura de 2026.

2025 foi um ano de leituras que me marcaram. Li ao todo 36 livros, e entre eles, alguns me fizeram rir, outros me deixaram em silêncio por dias, e alguns viraram verdadeiros manuais de vida.
Selecionei aqui os que mais me impactaram, que li com calma, que sublinhei, que emprestei e que, de verdade, valeu a pena cada página.
Mas, antes de começar a lista, uma confissão: o melhor de tudo é que, após fechar um bom livro, sempre sobra aquela vontade de abrir outro. Então, se você está em busca de ideias para o que ler em 2026, espero que este post te inspire e sirva de guia para suas próximas leituras.
1. Bambino a Roma: Ficção
Chico Buarque
Esse livro é um verdadeiro tesouro: leve e divertido.
O que mais me marcou foi como ele brinca com a memória: o livro é uma ficção que se passa como memória, e memória que se veste de ficção. E isso me fez refletir sobre como a gente recria o passado, com detalhes que podem ser reais, inventados ou uma mistura dos dois.
Chico Buarque volta ao tempo que, com 9 anos, se mudou com a família para Roma, onde o pai assumiu a cadeira de Estudos Brasileiros na universidade. A história é contada por um menino que explora a cidade de bicicleta, vive paixões adolescentes, se diverte com colegas, se perde em ruas e se encanta com o novo, tudo com um olhar curioso, às vezes malandro, mas sempre muito humano.
Depois da leitura, fiquei com aquela sensação gostosa de ter passeado por Roma com um menino que, no fundo, carrega o adulto que ele viria a ser e isso, por si só, torna o livro tão especial.
2. A contagem dos sonhos
Chimamanda Ngozi Adichie
Nesse livro, Chimamanda Ngozi Adichie conta a história de quatro mulheres, Chiamaka, Ifemelu, Kainene e Olanna, suas vidas, seus amores, suas perdas, seus desejos e as escolhas que as trouxeram até o presente. É um livro sobre amizade, sobre o peso das expectativas, sobre o que a gente deixa para trás e o que insiste em voltar.
O que mais me marcou foi como ela escreve com uma intimidade tão forte, como se a gente estivesse sentado à mesa com essas mulheres, ouvindo cada confissão, cada silêncio. Cada personagem tem uma voz tão distinta, tão real, que dá para sentir o peso das decisões que tomaram, o peso da distância, o peso de tentar ser feliz em mundos que nem sempre parecem feitos para elas.
Se você gosta de romances que misturam beleza e dor, A contagem dos sonhos é um daqueles livros que merece um lugar especial na sua estante (e na sua lista de 2026).
3. A cachorra
Pilar Quintana
Que livro incrível!
Damaris é uma mulher que, depois de anos tentando engravidar, decide adotar uma cachorra. O que começa como um gesto impulsivo logo se transforma em uma relação intensa, quase maternal, entre ela e o animal. E é por esse vínculo que a autora vai desfiando uma história de dor, solidão, desejo de ser mãe e das pressões que a sociedade ainda exerce sobre o corpo e a vida das mulheres.
Pilar escreve com uma linguagem crua, direta, mas, ao mesmo tempo, poética, capaz de mostrar o lado mais sombrio da maternidade não realizada sem cair no melodrama. A leitura é densa, às vezes desconfortável, mas exatamente por isso é tão poderosa.
Se a ideia é mergulhar fundo na psique feminina, esse livro merece sua atenção
4. Línguas
Domenico Starnone
Na mesma pegada de Bambino a Roma, mas agora com um cenário diferente: Nápoles, nos anos do pós-guerra.
O livro parece simples, mas se revela complexo a medida que vamos conhecendo o menino que, apaixonado por uma menina do prédio da frente, passa horas na janela, sonhando em ser poeta, enquanto ela dança no parapeito da sacada.
O que mais me encantou foi como Starnone usa esse amor como fio condutor para falar de coisas muito maiores: da linguagem (o menino abandona o napolitano pela “língua certa”, o italiano, como se fosse uma forma de conquistar o mundo e a menina), da amizade (com o arrojado Lello, que também se apaixona por ela), da relação com a avó, que o ama de um jeito quase excessivo, e de como esses laços afetivos se transformam, se distorcem e se mantêm vivos ao longo da vida.
Se você gosta de romances que misturam memória, amor e uma reflexão sutil sobre as palavras e os laços que nos definem, esse é um daqueles livros que merece um lugar especial na sua estante.
5. Divórcio em Buda
Sándor Márai
A história gira em torno de Kristóf Kömives, um juiz austero de Buda, que, na véspera de oficializar o divórcio entre um casal conhecido de infância, recebe a visita inesperada do marido.
Esse encontro serve de pano de fundo para o autor desmontar, com extrema precisão psicológica, a vida da decadente burguesia húngara dos anos 1930: elegante por fora, vazia e cheia de rancor por dentro. A separação do casal é só o pretexto; o verdadeiro divórcio é o da amizade, do amor, da lealdade, da própria identidade de um homem que se vê confrontado com escolhas passadas, com o que não disse, com o que não fez. E, por trás disso tudo, está a sombra de uma sociedade em decomposição, prestes a mergulhar na Segunda Guerra, onde o individual e o político se confundem.
Márai não precisa de gritos para mostrar a dor e mergulha fundo na alma humana nessa obra que pode te ajudar a olhar de outra forma para suas próprias “feridas cicatrizadas”.
6. A amiga maldita
Beatrice Salvioni
Que livro adorável! Li de uma vez só, sem pausas.
A história acompanha Francesca, uma menina de 13 anos, burguesa e obediente, que se fascina por Maddalena, a “Maldita”, uma menina pobre, rebelde e acusada de ter poderes misteriosos. Francesca desafia a mãe, os rumores e as convenções da sociedade italiana para se aproximar dela e descobrir um mundo mais livre. Mas entre as duas amigas se interpõem o machismo, a guerra e o fascismo. O que começa como uma amizade de infância logo se transforma em uma escolha: aliar-se contra a opressão e denunciar o abuso de poder, ou se encolher diante da vida.
Beatrice Salvioni usa a amizade feminina para mostrar a Itália fascista por dentro: a rigidez de classe, o controle sobre o corpo das mulheres, a violência silenciada e a forma como o Estado e a sociedade criminalizam quem se recusa a se encaixar.
Junto com a biografia de Edda Mussolini, da qual falo a seguir, A amiga maldita traça um cenário interessante da Itália fascista: de um lado, o alto escalão do poder, com suas alianças, luxo e tragédias familiares; de outro, o mundo das mulheres comuns, das meninas pobres, das que são chamadas de “malditas” por ousarem existir fora dos limites impostos.
7. Edda Mussolini: A mulher mais perigosa da Europa
Caroline Moorehead
A história acompanha Edda, filha favorita de Benito Mussolini, que cresceu como a menina mimada do ditador, virou de fato a primeira‑dama da Itália fascista e se casou com Galeazzo Ciano, o ministro das Relações Exteriores mais jovem da história do país.
O livro mostra como ela foi peça-chave nas alianças com a Alemanha de Hitler, viveu a pompa e a decadência do regime e, depois, enfrentou a queda do pai, a execução do marido, a fuga para a Suíça e o exílio.
O que torna essa biografia tão boa é que Caroline Moorehead não transforma Edda em vilã nem em heroína, mas em uma mulher complexa, ambiciosa, contraditória e, acima de tudo, humana. É um retrato cru do fascismo italiano, com toda a sua intriga, violência e desmoronamento, contado por quem estava no centro do poder e depois teve que sobreviver longe dele.
Se você gosta de histórias reais com peso político, drama familiar e uma protagonista forte esse é o livro perfeito.
8. Ressuscitar mamutes
Silvana Tavano
AMEI esse livro. Ele me tocou profundamente, do tipo que a gente fecha e fica um tempo em silêncio, sem conseguir sair da história.
A história é narrada por uma mulher madura que revisita sua família, os conflitos entre as mulheres do seu núcleo, o pai como figura lateral e, acima de tudo, o amor complexo, cheio de raiva e ternura, que ela sente pela mãe já falecida.
Silvana Tavano usa a ideia de “ressuscitar mamutes” como metáfora para o que a gente tenta resgatar do passado: lembranças, objetos, gestos, o que ficou e o que nunca foi dito. É um livro sobre o tempo, sobre o que se perde e o que talvez ainda dê para salvar, escrito com uma delicadeza que parece sair de dentro da gente.
Perfeito para quem procura leituras que mexem com o coração, que falam de família e da complexa relação mãe e filha.
9. Salvar o fogo
Itamar Vieira Junior
Personagens inesquecíveis e uma escrita que mistura beleza e força, Salvar o fogo é um daqueles livros que merece entrar na sua lista de leituras para 2026.
A trama gira em torno de Luzia do Paraguaçu, uma mulher estigmatizada por seus supostos poderes, que se torna a lavadeira do mosteiro da região e cria Moisés, um menino órfão de mãe, com uma rigidez quase religiosa. É uma história de coragem, de afeto, de injustiça e de como os fantasmas do passado de uma família se confundem com as sombras do próprio país.
A gente se envolve com Luzia, com Moisés, com cada detalhe da vida na região, e, ao mesmo tempo, sente o peso do colonialismo, das desigualdades e das feridas que ainda estão abertas no Brasil. É um livro que emociona, encanta, mas também indigna e, por isso, é um daqueles que merece ser lido com calma.
10. Sem despedidas
Hang Kang
Se a primeira parte do livro é enfadonha, a segunda e terceira fazem valer o livro.
A trama acompanha Kyung‑ha, uma escritora que vai para a ilha de Jeju, na Coreia do Sul, para cuidar do pássaro de estimação de uma amiga hospitalizada e se vê diante de um arquivo meticuloso sobre o massacre de Jeju, em que dezenas de milhares de civis foram aniquilados entre 1948 e 1949.
O romance não se contenta em contar uma tragédia; ele desmonta o esquecimento oficial, confronta a versão estatal e mostra como o Estado, em nome da “ordem”, pode se tornar o maior agente de violência contra seu próprio povo.
Han Kang usa a ficção para fazer um manifesto contra o apagamento da história: cada sonho, cada memória, cada documento que aparece no livro é um ato de resistência.
Menções honrosas
Alguns livros que também amei em 2025:
- Não fossem as sílabas do sábado – Mariana Salomão Carrara
- Suíte Tóquio – Giovana Madalosso
- Os sorrentinos – Virginia Higa
- Garota, mulher, outras – Bernardine Evaristo
- Xeque-mate da rainha – Elizabeth Fremantle
- Cassandra em Mogadício – Igiaba Scego
Gostaram? E para mais dicas de leitura, confira meus livros preferidos de 2024.
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